quarta-feira, junho 21, 2017

Ana Merege e Eduardo Kasse na Feira medieval


Pessoas Queridas,

Eu e o Eduardo convidamos vocês para nos encontrar na III Feira Medieval carioca, que terá lugar no sábado e no domingo (dias 23 e 24 de junho) das 11 ás 17 h na Quinta da Boa Vista, um lugar bem central aqui no Rio de Janeiro. A entrada no evento é gratuita e haverá muitas atrações: torneio de armas, prática de arco e flecha, dança e música medieval, venda de hidromel, roupas e artefatos. As crianças terão atividades direcionadas pára elas - vai ser bem divertido.

Para quem quiser adquirir nossos livros, teremos descontos de até 30% nos volumes da Trilogia Athelgard, da Série Tempos de Sangue e das coletâneas Medieval e Excalibur. Aceitaremos cartão, daremos marcadores de brinde e, é claro, autógrafos.

Venha passar conosco um Dia Medieval!

quinta-feira, junho 01, 2017

sexta-feira, maio 05, 2017

Para Quintana



Não lembro muito bem, mas creio que deve ter sido na primeira vez que visitei Porto Alegre com o então namorado João. Curiosamente, apesar de sermos do Rio, sem raízes gaúchas, nós dois curtíamos música nativista, e nessa viagem fomos assistir a um show do cantor João Chagas Leite. Nessa ocasião ouvi a linda canção Ave Sonora, ainda mais linda por homenagear um dos meus poetas favoritos, Mário Quintana – que foi jornalista, traduziu mais de cem livros, viveu solitário pela maior parte da vida e morreu na pobreza. Concorreu três vezes a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas, apesar dos muitos poemas e muitos prêmios – inclusive da própria ABL --, nunca foi eleito. Razões alheias à magnitude da obra, como diz a letra de “Ave Sonora”, da autoria de Gilvan Retamoso Palma:

Ave sonora, saiba que agora
Não há censura nem linha dura pr'esta passeada
Ave sonora, vamos embora
Que a academia é só mania de quem tem plata
Que a academia é só mania de quem tem plata

Seja como for, hoje faz 23 anos que Mário Quintana se foi para o céu dos anjos e dos cata-ventos. Já o homenageei, anos atrás, com um poema que me recorda os saltimbancos de Athelgard, agora deixo aqui a canção dos conterrâneos e ainda um dos meus poemas favoritos. Conhecido, lá em casa, como o "Poema da Cabrinha".

A Canção da Menina e Moça

Uma paisagem com um só coqueiro.
 Que triste!
 E o companheiro?

Cabrinha que sobes o monte pedrento.
Só, contra as nuvens.
Será teu esposo o vento?

O meu esposo há de cheirar a tronco,
Como eu cheiro a flor.

Um coração não cabe num só peito:
Amor... Amor...

Uma paisagem com um só coqueiro...
Uma igrejinha com uma torre só...
Sem companheira... Sem companheiro...
Ó dor!

O meu esposo há de cheirar a tronco,
Como eu cheiro... como eu cheiro

A amor...

segunda-feira, maio 01, 2017

Sobre Livros e Amizade



          Pedem-me para escrever sobre a amizade e os livros. Por onde começar?
          Há muito a dizer e vários caminhos possíveis. Eu poderia falar sobre a amizade retratada em textos literários, desde Enkidu & Gilgamesh a Sawyer & Finn, Holmes & Watson, Frodo & Sam, sem esquecer os eternos e complementares Sancho & Quixote. Indo por outra vereda, poderia falar sobre a amizade aos livros, aquela que marcou a infância de tantos escritores e acabou se refletindo em suas obras. Ou sobre o colecionismo... Quem sabe?
           Entre tantas opções, escolhi não falar sobre a amizade atribuída por um autor a seus personagens, nem pelo laço criado entre o livro e seu leitor ou possuidor. O que celebro aqui são as amizades entre pessoas de carne e osso, construídas a partir do interesse por livros. Ou melhor, pelo amor às histórias contidas em suas páginas.
           Tenham em mente que hoje isso é bem mais fácil do que já foi. Onde quer que esteja, um jovem que goste de ler – ou de escrever, ou de ambos – só precisa digitar algumas palavras para encontrar pessoas que compartilhem seus livros, séries e personagens favoritos. Para mim foi mais difícil: corriam os anos 1980, quando tudo dependia de estar nos lugares certos (aos quais nem sempre se tinha acesso) e achar as pessoas certas (que você nem sabia se existiam). Ler, portanto, era um ato muitas vezes solitário, e escrever quase sempre um passo para a exclusão social. E para quem, como eu, nasceu querendo contar histórias, a solidão não é algo fácil de suportar.
            Assim, dá para imaginar a alegria que era encontrar, nem digo escritores, mas leitores com preferências afins. Vocês sabem como é, já devem ter passado por isso: aquela coisa de conhecer alguém, ir assuntando, de repente se aproximando devagar: você também está lendo essa série? O que mais conhece no gênero? Autores nacionais, algum? Eu podia te emprestar... Enfim, começa por aí, o resto vai-se construindo como em qualquer amizade. E as que começam através da literatura têm bases sólidas.
            Falo sobre livros com a grande maioria dos meus amigos. Na verdade, até mesmo com os que não gostam de ler: em nossos outros assuntos, cinema, viagens, maternidade, sempre acabo encaixando uma referência, uma citação de autor ou personagem. Outros leem não-ficção, de que também gosto, dependendo do assunto. Na biblioteca onde trabalho, muitos papos iniciados no campo da História ou da Arqueologia levaram a conexões literárias. O círculo se amplia com os que leem ficção realista e se abre com possibilidades infinitas ao pensar nos que partilham meu gosto por literatura fantástica. Alguns deles são pessoas que encontro com certa frequência, outras raramente; com muitas travei contato pelas redes sociais e nunca tive o prazer de encontrar ao vivo e a cores. Não importa: estejam próximos ou não, estamos ligados pelos livros, pela fantasia, por uma teia elástica e inquebrantável em cujos fios se inscrevem todas as palavras do mundo.
             Que ela possa crescer cada vez mais, tecendo novas histórias e unindo amigos que ainda não se conhecem.

domingo, abril 02, 2017

Sobre Andersen



Três nomes (que na verdade são quatro) nos vêm imediatamente à cabeça quando o assunto é conto de fadas. O de Charles Perrault, cujas Histórias da Mamãe Gansa foram um grande divisor de águas na literatura do gênero; o dos Irmãos Grimm, Jakob e Wilhelm, compiladores e divulgadores do folclore germânico; por fim, o de Hans Christian Andersen, cujas narrativas, impregnadas de emoção e lirismo, se distinguem por seu caráter autoral e muitas vezes autobiográfico.

A humildade e a tragicidade dos personagens de Andersen encontram ecos na trajetória do autor. Nascido em 1805 nos subúrbios de Odense, Dinamarca, filho de um sapateiro e de uma lavadeira, Andersen foi uma criança frágil, dotada de imaginação vívida e de uma sensibilidade que o acompanharia durante toda a sua vida. Nas autobiografias que escreveu em 1832 e 1846, ele relata sua infância pobre, falando sobre o prazer que encontrava confeccionando bonecas e fantoches e o sonho de se tornar um cantor, o qual o levaria, aos 14 anos, a embarcar rumo a Copenhagen para tentar iniciar uma carreira. Foi lá, três anos depois, que ele começou a escrever peças teatrais (todas rejeitadas por críticos e produtores) e teve a chance de receber alguma educação formal, quando Jonas Collin, um dos diretores do Teatro Real, fez dele seu protegido e o enviou a um colégio e depois à universidade. Seu padrão de vida melhorou bastante depois disso, mas Andersen jamais deixou de se queixar dos sofrimentos de sua vida pessoal, desde as constantes dores de dentes (que parecem tê-lo perseguido ao longo de toda a adolescência e idade adulta) até a incompreensão de que julgava ser vítima por parte de seus pares.

As primeiras publicações de Andersen foram um relato de viagem e alguns poemas esparsos, além da autobiografia romanceada A História de Minha Vida. Depois disso, ele se voltou para os contos, publicando, em 1935, um opúsculo que intitulou Contos Contados para Crianças e que continha, entre histórias menos conhecidas, a deliciosa A Princesa e a Ervilha. Tal como os Grimm, Andersen foi censurado pelo seu estilo, julgado demasiadamente coloquial para a época, e pela moral de alguns contos, que seriam inadequados para crianças; no entanto, o público infantil parecia adorar tanto as histórias como seu autor, e, ao ser aplaudido em locais como Londres e Weimar, Andersen se assegurou de que estava no caminho certo. Embora continuasse a escrever para adultos - uma das novelas mais conhecidas é O Improvisador, cuja ação decorre na Itália - ele publicou uma série de livros infantis, que eram lançados a cada ano perto do Natal e que incluíam tanto contos populares, ouvidos por Andersen quando criança, quanto obras autorais. A Sereiazinha, Os Sapatos Vermelhos, A Nova Roupa do Imperador, O Patinho Feio e O Rouxinol do Imperador da China são apenas alguns dos títulos que saíram de sua pena e que angariaram fama e reconhecimento para o autor.

Várias características separam os contos de Andersen da obra de Perrault ou dos Irmãos Grimm. Em primeiro lugar, ao contrário do francês e dos alemães, o dinamarquês não apenas deu uma forma ao material já existente na tradição oral e literária, mas criou suas próprias histórias; só uma minoria delas tem raízes na tradição folclórica, como parece ser o caso de O Isqueiro Mágico. Além disso, os personagens de contos de fadas costumam ser arquetípicos, dotados de uma personalidade que pouco varia de acordo com a história, ao passo que os de Andersen são complexos, refletindo as ansiedades, as contradições e as fantasias do autor, de quem, muitas vezes, funcionam como alter ego. O Patinho Feio, por exemplo, traduz a inadequação social e o desejo de reconhecimento de Andersen (um tema também presente em O Improvisador e recorrente em sua obra), enquanto o sofrimento da Karen de Os Sapatos Vermelhos, da Pequena Vendedora de Fósforos e da Sereiazinha seria, para alguns críticos, a expressão do princípio cristão de transcender a dor e renunciar às recompensas terrenas para buscar as de um outro mundo. De qualquer forma, seja naqueles contos cujo final se pode dizer infeliz, seja naqueles onde a jornada do herói ou heroína conduz à superação do obstáculo e ao sucesso, o Bem sempre acaba por triunfar contra o Mal e a adversidade, reforçando os valores éticos e morais que o próprio Andersen afirmava ser seu desejo sublinhar nas histórias.

Assim como eu, que me recuso a narrar, seja para que platéia for, A Pequena Vendedora de Fósforos (seguramente a história que, até hoje, mais me fez chorar), a consagrada escritora de fantasia e ficção científica, Úrsula K. Le Guin, declarou que "detestava as histórias de Andersen com final infeliz", mas que não conseguia deixar de retornar a elas ou pelo menos de lembrá-las. Talvez a possibilidade de redenção oferecida por esses finais seja o que atrai os leitores; ou talvez esse fascínio se deva ao estilo de Andersen, essencialmente romântico, mas ao mesmo tempo dotado de uma cor e de uma vivacidade especiais. Seja como for, ao falecer, em sua casa, em 1875, o menino pobre de Odense havia percorrido um caminho tão espetacular quanto o de seus personagens, e deixado um valioso legado: as suas histórias, sonhos tornados em palavras, que vêm povoando a mente e o coração de crianças e adultos ao longo de gerações.

domingo, março 12, 2017

quarta-feira, março 08, 2017

Por Que Conto Histórias?


Eu sempre gostei de contar histórias. Vem lá de dentro. Minha família se lembra de quando eu, pequenininha  -- uns quatro anos talvez – inventava longas histórias com personagens próprios que contracenavam com outros tão inusitados quanto Mogli, Emília e os deuses da mitologia grega.
(Sim, eu tive a sorte de também ter quem me contasse e lesse histórias).

Da palavra falada para a escrita foi uma transição natural, e eu venho escrevendo desde que aprendi a fazê-lo. Mais de quarenta anos. Continuei contando também. No início acho que era apenas uma forma de extravasar pensamentos e inquietude, depois foi um jeito de afugentar demônios, hoje é tudo isso e também uma forma de eu me expressar e deixar minha mensagem para o mundo – alguma coisa que fique e se perpetue depois que eu voltar a ser poeira de estrelas.

Você, mulher que conta e escreve histórias, saiba que é herdeira de uma longa linhagem, que vem desde as avós da Pré-História, passou pelas mães e avós, camponesas, parteiras e fiandeiras. Uma linhagem que sobreviveu às fogueiras e aos espartilhos.  Uma linhagem que se fez ouvir, ainda que em boa parte do tempo permanecesse invisível.

Eu conto histórias pelo prazer da partilha.

Eu escrevo pelo anseio de eternidade.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017


Pessoas Queridas,

Saiu mais uma entrevista minha para o jornal O Estado do Rio de Janeiro, desta vez tratando do meu trabalho como bibliotecária e da representação da nossa profissão em séries e filmes.

Para quem quiser, o link está aqui.

domingo, fevereiro 12, 2017

O Ouro de Tartessos : Nova Aventura de Balthazar e Lísias


Pessoas Queridas,

O Balthazar e o Lísias não param!

Além do conto A Caverna de Zakynthos e da coletânea Piratas, eles estão numa nova história solo, O Ouro de Tartessos.

Eis a sinopse:

Acompanhado por Lísias, seu fiel escravo heleno, o Capitão Balthazar vai parar na mítica Tartessos, onde sempre ouviu dizer que existiam montanhas de ouro. Mas será que ele é o único a querer se apossar dessa incrível fortuna?

Que tal, curtiram? Espero que sim! E aguardo seus comentários sobre a história e os personagens!

quinta-feira, janeiro 19, 2017

A Caverna de Zakynthos: novo conto de Balthazar e Lísias

Pessoas Queridas,

O Balthazar e o Lísias, que vocês talvez já conheçam do conto Em Busca do Rei e da coletânea Piratas, aparecem agora numa nova aventura, dessa vez acompanhados por alguém muito especial: Diodoros, personagem da série "Tempos de Sangue" do Eduardo Kasse.

Eis a sinopse:

Cansado de prazeres vazios, o imortal Diodoros de Atenas está em busca de novas emoções. É quando se depara com o capitão fenício Balthazar de Tiro e seu fiel escravo Lísias. Onde esse encontro pode levar? Este conto reúne um personagem da série Tempos de Sangue, de Eduardo Kasse, e a dupla de viajantes do tempo criada por Ana Lúcia Merege, autora da série Athelgard, que agora se aventura pelas águas do Mediterrâneo - com muito humor, ação e aventura.

Que tal, curtiram? Espero que sim!

Para adquirir o conto, basta clicar aqui. E, para comemorar, aí acima estão Balthazar, Lísias e Diodoros em ilustração da querida e talentosa
Angela Takagui.

sexta-feira, janeiro 13, 2017

Ana Lúcia Merege : Uma Aventura Editorial

      As fotos podem não estar muito boas, mas esses são os cadernos que mantenho desde 2002, com o título coletivo Ana Lúcia Merege: uma aventura editorial. Neles registro tudo que aconteceu desde que decidi me mexer para fazer acontecer minha carreira literária, nem que fosse de forma discreta e modesta. caderninhos.



        
        Nesses cadernos registrei os primeiros passos da criação do blog A Estante Mágica de Ana, que existe desde 2002, os contatos com editores, a interação com escritores no antigo Orkut, as primeiras participações em coletâneas, os livros independentes, os contratos; e também as palestras, os lançamentos, os encontros, as Primaveras Literárias e Bienais. Não é uma carreira assim tão movimentada, por isso vários anos cabem num caderno. O terceiro começa agora, em 2017.



         Talvez vocês achem que não é grande coisa, mas para mim esses cadernos significam muito. É o registro de quanto trabalhei e me empenhei para fazer minha carreira acontecer. Então, quando sinto desânimo ou duvido de mim, olho pra eles e vejo o longo caminho que já percorri e quanta coisa boa pode ainda haver pela frente.

quarta-feira, janeiro 04, 2017

Medieval no Kindle para Samsung


Pessoas Queridas,

No mês de janeiro, "Medieval", a coletânea que organizei com o Eduardo Kasse, pode ser baixada gratuitamente pelos leitores de Kindle para Samsung. Se vocês estão entre eles, aproveitem!

Cliquem no Blog da Editora Draco para saber mais detalhes e aproveitem a leitura. Em breve estarei aqui com novidades!